quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Sou poeta de aluguer
Em mar de mentiras mergulhado
Sou poeta da mentira
Que odeia aquilo de que se tinha orgulhado

Como as ondas mentirosas
Que mentem sobre quando rebentam
Sou poeta que muda
E dos que tal mudança não aguentam

Sou poeta ferido
Em interrogações alagado
Sou poeta sem sentido
Que segue seu eu enganado

Se sou poeta que sou hoje
Se sou mais que ontem
Talvez porque não quis mais ser
E mudei como quem foge

Sou poeta que finge
E pior que fingir
É mentir-me, e por isso
Sou poeta que à decadência se restringe.

domingo, 26 de setembro de 2010

Melancólica marcha de gente triste

Sou apenas observador
Desta triste marcha de triste gente
Sem segurança, apenas receio
É infinita a dúvida na mente

Nenhum sabe para onde ir
Todos procuram direcção
Tudo é novo e sem interesse
O caminho certo é o caixão

E por isso escrevo sem certeza
De que de ninguém rodeado
Não sei que possa esperar

E miro o horizonte, em neblina disfarçado.

sábado, 25 de setembro de 2010

Quando num jornal uma notícia é sobre uma velhota que se queimou com a sopa, quando o Sócrates avisa que se vai pôr nas putas quando isto der o badagaio, quando o Mourinho é convidado para fazer um milagre e despachado em seguida... Fico sem saber em que acreditar.

Boa semana.

domingo, 12 de setembro de 2010

Colocado! Faculdade de Letras de Lisboa em Ciências da Linguagem! ♥

sábado, 11 de setembro de 2010

Hoje identifico-me a uma bola de sabão.

Bolas de sabão, lindíssimas com o seu brilho. Que voam sem direcção, sem rumo... Sem conteúdo, só por vontade de outras pessoas. E ao mais pequeno toque, desaparecem. Perde-se o brilho, perde-se a forma, perde-se o rumo que se estava a conseguir ter.

Hoje identifico-me a uma bola de sabão. Sem conteúdo, prestes a perder o brilho... Sem o rumo que muito dificilmente tinha conseguido achar.

É como digo. As bolas de sabão existem por vontade de outras pessoas.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Escrituras inconscientes

Perco-me tantas vezes em pensamentos negros que perco o rumo que levo. Não sei se siga, se pare. Não sei que leve, quem leve. Deixo-me levar por caminhos que moem quem se deixa levar, mas esses não se apercebem enquanto não estão no fundo.
E do fundo não me consigo levantar sozinho, sinto dores...Tenho frio. Este é o pior sítio em que já estive. Uma placa que flutua avisa que este sítio se chama solidão.
Neste sítio, não estou sozinho, mas as pessoas que me rodeiam não me ouvem, não me respondem. Tão pouco me olham. E é tudo sem cor, as pessoas sugaram a vida deste sítio;

Penso que talvez a vida destas pessoas afinal de contas nem esteja aqui. Talvez por isso estão aqui, porque as suas vidas as abandonaram.
E acordo, com uma ténue luz que me aquece a cara, estremunhado e ainda na dúvida: Foi sonho? Ou, como essas pessoas, a minha vida fugiu-me sem reparar?
Vendo bem... Sinto-a longe, bem longe.

domingo, 5 de setembro de 2010

Há um buraco no mundo,
como uma grande cova negra,
e todos os vermes do mundo vivem ali,
onde a moral não vale o que um porco poderia cuspir
...chamado de Portugal.

No topo desse buraco ficam os privilegiados,
que zombam dos outros vermes,
nesse zoológico vil,
transformando a beleza em corrupção e ganância.


Johnny Depp em "Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street"

Adaptado ao nosso...belo...país.