domingo, 27 de março de 2011

Entre luzes há escuridão

Enche-se de esperança
A dura realidade
De quem pede aos céus
Um minuto de liberdade.

Enche-se de preces
A vaga mente
De quem implora
Pelo momento em que apareces.

Enche-se de versos
O desiludido poema
De quem já se farta
Desses desejos inconfessos.

Enche-se de raiva
O poema deste poeta
Que já não aguenta
Essa raiva indiscreta.

Explode.

Sou alma aberta e entregue,
Nos teus braços deitada.
O desejo ainda me persegue
Mas de mim já dei... E a resposta foi nada.

Essa resposta, que nos deixa
Entregues ao silêncio;
Se sou eu a decidir,
É aqui que a nossa história fecha.

E essa rapariga de mil-horas,
Que em mil-horas mais não fez senão pensar
Deixou-me de alma aberta
Sem saber em que acreditar.

Implora.

Se tu possuis o medo,
Eu serei o teu porto-de-abrigo.
Se sentires a queda da noite
Procura-me. Estarei sempre contigo.

Ama (de novo).

sábado, 26 de março de 2011

Halloween - Projecto Mary Witch


01- Mary Bu
02- Raportagem
03- Gangs de Lisboa
04- Bang Bang
05- Procriar
06- S.O.S. Mundo
07- Fly Nigga Fly
08- No Love
09- Krika Kriminal
10- O Bom Jogador
11- Bitch Nigga
12- Várias Vidas
13- Dia De Um Dread De 16 Anos

Um amigo pediu-me que arranjasse um CD. Deste artista - Halloween. Lá fui arranjar a cena e, por curiosidade, estive a ouvir as músicas do rapaz, que não ouvia desde o meu 10º ano quando ainda ouvia este tipo de coisas. Tenho a dizer, à segunda música já estava cansado de estar a ouvir o moço falar, mas tenho que admitir: Fazer uma letra rimando durante 13 minutos é extremamente difícil e admiro bastante estes letristas por tais façanhas. Para quem goste do género, acredito que seja algo bastante bom. Quanto a mim, prefiro a minha música um pouco diferente deste género.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Error404: Prime-Minister Not Found

Meus filhos, a queda do governo é um pau de dois bicos. Depende da mentalidade e opinião pessoal qual o que escolhem para se picarem.

Como para bom entendedor meia palavra basta, passo a citar algo que possa dar a entender o meu ponto de vista:

"E queria também aqui anunciar 'sachabor que isto aqui, que isto aqui, é uma data de gatunos uma data de ladrões e uma data de xupistas!"



terça-feira, 22 de março de 2011

Rogério Águas: A Parede



Ao contrário do meu amigo ali do outro blog... FOI TOTALMENTE ESPANTOSO, FOI BRILHANTE, SENSACIONAL, SURREAL, ÉPICO. NUNCA NA VIDA VOU ESQUECER AQUELAS HORAS!

Passada a excitação (que está agora a ser recalcada à força!), passo a dizer que quem não viu Roger Waters actuar no dia de ontem ou que não o verá hoje perderá, provavelmente, o concerto "of a lifetime". Das músicas já tão reconhecidas e abraçadas pelos fãs, passando pela excelente animação e trabalho de luzes e chegando finalmente à equipa que tão bem apresenta o seu esforço num óptimo concerto, nota-se a presença contestatária do espírito "Floydiano" da altura pela actualização de certas imagens (uma visível crítica aos iQualquer Coisa e imagens de extrema crueldade humana durante a guerra do Iraque). Tendo sido os pontos altos da noite, claramente, a eterna Comfortably Numb e, na minha opinião, a genial The Trial (cantada a plenos pulmões pela minha pessoa) tenho a salientar a palavra que me vem à cabeça quando penso na noite de ontem: Surreal.




"The child is grown/The dream is gone/I... Have become Comfortably numb"

sexta-feira, 18 de março de 2011

Tenho a minha poesia tomada como subterfúgio descritivo de uma realidade de si refugiada em falsos pretextos.


sábado, 12 de março de 2011

A luta saiu à rua

Portugal viu hoje a "Geração à Rasca" reunida em vários pontos do país. Entre gritos que ecoaram pelas ruas, demonstrando desagrado, ouviram-se também certas pérolas:

  1. "O que é um precário?" - autoria de uma jovem que cantava ser precária.
  2. "Será que são nazis?" - autoria de uma senhora que observava indivíduos de cabeça rapada ostentando uma bandeira preta e usando uma camisola com a cruz de ferro estampada.
  3. "Mas pa'qué que tão a cantar aquilo agora também?" - autoria de uma senhora que observava os adeptos da Extrema Direita cantando o hino nacional.
  4. "Senão fizer-mos nada, temos que aturar as voças buroqueracias!" - autoria de um senhor que deveria ter entre 30 e 35 anos. Um cartaz - 4 erros.


Agora espero que o povo não se deite à sombra do sucesso desta manifestação: a luta tem que continuar. Não fomos apenas dez, não fomos 100... Chegámos à centena de milhar em Lisboa. E se o povo fala, algo está mal.


"Deixa passar/Deixa passar/Eu sou precário e o mundo vou mudar"

terça-feira, 8 de março de 2011

Carnaval

Este ano decidi entrar na brincadeira do Carnaval. Nunca foi uma das minhas datas de eleição, nunca tive o hábito de me mascarar ou de ir a bailes ou desfiles. Nunca fui grande amigo de balões de água, sacos com farinha e demais. Sempre vi o Carnaval como uma data em que toda a gente pode vestir aquilo que realmente gosta sem medo de gozos ou injúrias sociais. As saias ficam mais curtas, o "pêlo" fica mais à mostra... Uns quantos saem do armário uma noite do ano sob a desculpa que "ninguém leva a mal", etc. Quanto a mim, sob desafio de ir dar uma volta mas ter que ir mascarado, desencantei umas meias brancas, um sapatinho preto, a calça pelo tornozelo, a camisola branca justa por baixo de um casaco de cabedal e o cabelo cheio de gel e laca para fazer algo que não ficou perfeito mas serviu por umas horas. Por fim, puxei do espírito da brilhantina encarnada há uns anos por Travolta e ainda dei uns passos de dança ao som do "Grease Lightning" e do "Summer Nights". Com farinha, água e uns amigos à mistura lá se fez a noite, diferente de tantas outras e consideravelmente divertida. Apenas uma pergunta ficou: Com as calças tão subidas, como conseguiam os homens daquela altura andar com um tomate para cada lado?


segunda-feira, 7 de março de 2011

Fustigação adormecida

Os sonhos são o inverso do inverso;
Porque o real invertido,
Tão assustador de se ver,
Tem um significado perverso.

A mente prega-nos partidas,
Ri-se como uma criança pequena.
Odeio as noites de tumultos mal dormidas
Vindas do palco assustador que ela própria encena.

E para mal dos meus pecados
A mente guarda a memória
Dessas cenas que castigam,
Que conseguem deixar a alma em bocados.

Quando chega o despertar,
Já o Sol vai alto e imponente,
Respiro fundo e agradeço
Por saber que o sonho é uma partida da minha mente.


"You have to know who you are. If you don't, you'll have nightmares"
Stephen Rea

sexta-feira, 4 de março de 2011

see-through

Escrevo por ser observado
E para cada movimento há olhares de cada lado
Faço-os para que achem o que acham
Ou será melhor perguntar-me se realmente se interessam?

Talvez seja melhor que achem...
Que me importa?
Talvez finja que me interessa
O seu olhar lançado à minha maneira morta.

Morta por fingimento e falsidade
Dos outros, esses outros que me vêem
E dos seus olhares tiro o que pensam
Sem saberem que facilmente os lêem.

Param os olhares
Mas as vozes ficaram
Ignorantes, foram mais vistos do que viram
E da sua ignorância apenas murmúrios restaram.



"The public have an insatiable curiosity to know everything, except what is worth knowing"

Oscar Wilde